Vougas, Sharpies e Andorinhas - Os Clássicos da Vela Portuguesa (1)
Os Clássicos da Vela Portuguesa
1- Os Vougas
O que é um clássico ?

centro náutico da ria de ovar
As atividades na CENÁRIO não se resumem apenas aos encontros em redor de boas conversas e boas "palamentas" comensais, ou passeios em águas abrigadas, ou encontros e fomento da carpintaria naval, em tertúlias de maior ou menor afluência, de maior ou menor pertinência. Se a carpintaria naval hoje, é tema importante das agendas políticas da CIRA, muito deve a este grupo de entusiastas que desde o ano de 2002 se lança na aventura de recuperar barcos de madeira. Não construímos de novo, salvo raras exceções, restauramos, recuperamos devolvemos património a uma atividade que nos rejuvenesce e recupera para a vida. A nós e aos barcos, tema de futuro.
A nossa mais recente atividade de restauro tem um significado especial, pois o proprietário acalenta uma paixão pelos barcos alicerçada em gerações de "Homens do Mar", daqueles que sabem e vivem ainda, a epopeia das pescas... e do bacalhau.
Trata-se do restauro profundo de um "Snipe, embarcação de regata já antiga, não sabemos quanto) que se encontrava em mau estado mas ainda digno, apesar de alterações absurdas de foi foi alvo algures em tempos mais recentes. Presume-se que tenha sido construído em Vigo, mas velejou e muito pelas águas da Ria, sobretudo na Costa Nova e agora, na CENÁRIO, rejuvenesce, renasce.
Eis de seguida algumas fotos do processo, que se encontra neste momento em fase de acabamentos do casco, faltando ainda um mastro novo, retranca, leme retrátil, etc, etc...
Desde Novembro, até hoje, de modo mais ou menos intermitente, avançam os trabalhos. Hoje colocámos o quebra-mar e lixamos verniz...
Ir a Aveiro e voltar, um outro dia de viagem, uma nova digressão ou antes diversão, ou até uma persistente fixação de descoberta daquilo que já foi feito vezes sem conta. Há muitos anos, primeiro era o sal, o peixe, sempre as pessoas, mais recentemente o caulino, as pedras, o vinho... num vai e vem constante entre aveiro e Ovar na carreira da "Barca de Ovar". Mas desta vez o que nos levava e trazia a Aveiro eram os barcos. Antes veículos ,objetos, agora os protagonistas. Barcos, para Exposição "Sulcar a Ria" . ( Veja-se postal anterior)
E como já passou algum tempo desde essa heróica-diminuta façanha, detalhes da viagem serão omissos, mas mesmo assim devemos referir que zarpámos do cais do Puxadouro de manhã por volta da 9 horas e trinta, uma manhã serena e calma, embarcados no "Aventura", com o motor Suzuky HP5 sempre a girar, pois vento era coisa pouca até S. Jacinto... A missão constava de transportar o "Aventura" para a exposição, onde estariam outros dois Vougas, o "Sofia" modelo mestre Gordinho, e o "Beatriz" , modelo Mestre Albeeto Costa, ficando a trilogia completa com o modelo "Brigada Naval"- o "Aventura"- cuja autoria se esvanece no processo evolutivo da classe Vouga nas década sde 50 e 60 do sec XX mas cujo restauro se deve ao laborioso e prolongado tempo de gestação da CENÁRIO entre 2002 e 2005.
Mário, Carlos e o escriba... saindo do cais do Puxadouro
E no Canal de Aveiro
O regresso a Ovar , após um prego no Rossio, no sítios onde se comiam pregos com "ovo a cavalo", ocorreu passando a eclusa, já mastraos descidos e as embarcações em simbiose, longos mastros na horizontal, uma tarefa e um conjunto de riscos que assumimos correr, assim é a vida de nautas amadores, mas cultos e sabedores, sem temores ou cautelas paralizantes.
No regresso, transportando e navegando a bordo do vouga "Vouga" (é mesmo assim) rebocando o andorinha "Melody", subindo pelos "labirínticos e surpreendentes " canais do baixo Vouga até ao cais do bico da Murtosa, Pousada do Muranzel à vista, e daí até ao Carregal, em Ovar.
E foi assim que aconteceu, devemos apenas realçar a originalidade do " combóio de embarcações de mastros pendentes", penso até que inscrevemos mais um modelo de embarcação na fervilhante criatividade das águas de Aveiro, apesar de sabermos que na circunstância de condições adversas o bom senso aconselha que esta criatividade fique quieta e resguardada no cais de abrigo, no porto seguro... longe de águas agitadas.
Longo foi o dia, descer mastros, subir mastros, ultrapassar duas vezes a eclusa, tatear fundos e optar pelo rumo, certo ou incerto, disto e muito mais se trata quando percorremos o mar interior de Aveiro, rumo aos mares vareiros do Rio de Ovar.
Não sem antes testarmos a estabilidade da embarcação...
"Ou do Rio de Ovar"
Envolvidos no evento
estiveram velejadores, elementos nos barcos de apoio, júri de largadas e
chegadas, elementos na organização e na logística, as associações NADO-Náutica
Desportiva Ovarense e Associação Náutica da Torreira, Associados e amigos da
CENÁRIO no transporte de embarcações e no transporte dos velejadores entre a
Torreira, Ovar e Válega, a comunicação social, nomeadamente o Diário de Aveiro,
e tivemos o apoio da CIRA e da Câmara Municipal de Ovar.
Ainda,
estiveram envolvidos no apoio à regata ex-formandos do Curso de Carpintaria
Naval que ocorreu em Pardilhó, Estarreja durante 2023.
Obtivemos a participação de 9 embarcações clássicas, e outras acompanharam as regatas, envolvendo um total de 32 velejadores, oriundos de diferentes locais como Porto, Espinho, Ílhavo, Torreira, Ovar e Estarreja.
As embarcações inscritas representaram as classes de vela “Vouga”, “Andorinha”, “Sharpie 12M”, “Moth”, “Cap Corse”, “Sunfish”, e ainda uma embarcação de Cruzeiro dos primórdios da vela de recreio da ria, cujo modelo data de 1949, construída em meados dos anos 60 e que esteve presente na Exposição “Sulcar a Ria” organizada pela Câmara Municipal de Aveiro no âmbito do evento “Aveiro Capital Portuguesa da Cultura”.
Dia 28, Sábado
Ovar
Após
terminado o período de inscrições, a Largada ocorreu junto ao cais da Pedra, no
Carregal, em Ovar, com a colaboração direta da equipe da NADO nos procedimentos
de largada e esta 1ª Regata terminou na Torreira em frente ao café-esplanada
“Guedes” com a colaboração direta da ANT na obtenção dos tempos de chegada de
cada embarcação.
Terminada a regata e amarrados os barcos na nova Marina da Torreira, gerida pela ANT- Associação Náutica da Torreira. Deslocaram-se os velejadores para Ovar em transporte providenciado pela Escola de vela da NADO- Náutica Desportiva Ovarense. Seguiu-se um lanche coletivo nas instalações da CENÁRIO, no cais do Puxadouro em Válega, onde se encontrava ancorada uma frota de veleiros da NADO e respetivas tripulações que se tinham deslocado até ali, acompanhando a regata até à Ponte da Varela, circunstância esta que proporcionou um belo espetáculo de cerca de duas dezenas de embarcações a velejar. O aspeto social do momento é o que devemos realçar, reforçando laços de amizade e de espírito coletivo em torno da náutica de recreio. Os velejadores dos pequenos cruzeiros e algumas famílias pernoitaram a bordo das embarcações e as instalações da CENÁRIO estiveram disponíveis para maior comodidade.
Dia 29, Domingo
Torreira
Após a preparação das embarcações iniciaram-se os procedimentos de largada pela equipa da ANT, junto ao Cais dos Pescadores, com a linha de largada colocada entre o Cais dos Pescadores e a esplanada do “Café Guedes”.
Com vento suave mas firme soprando do quadrante oeste deslocaram-se as embarcações rumo ao cais da Tijosa, em Ovar, passando pela Ponte da Varela, ao largo do Bunheiro e da Ribeira da Aldeia em Pardilhó.
Após passarem a Ponte da Varela cruzaram-se as embarcações em regata com os cruzeiros e lanchas que regressavam desde o Cais do Puxadouro para a Marina do Carregal, facto que proporcionou um outro momento alto do evento, presenciado por alguns visitantes que observavam do cimo da Ponte.
Cruzada a linha de chegada alguns veleiros deslocaram-se para o Cais do Puxadouro, a sede da CENÁRIO onde ocorreu a cerimónia de entrega de prémios.
E no dia
seguinte e nos que se seguiram, foi a habitual azáfama de regresso ao repouso,
arrumar e limpar barcos, velas, e fazer os balanços necessários para que no
próximo ano se possa realizar um evento ainda melhor.
Classificação Geral
1º Lugar
, Vouga “Calipso” com Miguel Lopes, Miguel Tavares e João Loura ( na foto está
o Francisco…)
2º lugar
– Vouga Aventura, com Rui Carreira, Alexandrina Valente e Carlos Aguiar.
3º Lugar
– (Não esteve presente) Sofia Alçada e Cristina Alçada, em Sharpie 12
Classificação
Classe Andorinha
1º Lugar
( Campeões Nacionais !), na foto 3- Nuno Costa, Angelina Valente e Francisco
Providência Morão.