Monday, September 17, 2018

Arribação.

Uma manhã , esta manhã em que por acaso era sábado, partimos. Já não partiamos assim havia algum tempo, rumo ao sul, três amigos e um barco, ou sela quatro amigos... Decidimos visitar as amigas que que se encontravam na esplanada da praia de ria do Monte Branco. A maré vazava a grande velocidade e o vento, uma brisa certa e suave vinda do mar ia-nos deslizando no Melody deixando o Carregal e o Areínho pela pôpa. O tempo era de almoço à vista.
O palavreado a bordo ia também ele deslizando, deslizando, por vezes não sentimos a falta que o silêncio faz, e nestas circunstâncias de setembro, receamos o silêncio talvez porque ele nos lembre o fim do verão, e como é bom colher os frutos que se aproximam, e aqueles que já colhemos e que bom ano de colheitas vai ser este, pelo menos esta viagem inesperada e promissora e as uvas que se atrasam na maturação e as vindimas que estão a decorrer ao longo das encostas, planícies e conclaves de terroirs minerais e argilosos, por vezes calcáreos por vezes graníticos como a força do pensamento que não bebe na mesma terra duas vezes, assim como a água que nunca repete a passagem pela ponte.
Era isto que decorria sob ponte da varela , e as velas a bater inevitavelmente abanando os silêncios e a pachorrenta travessia, eis que a Torreira se revela depois das arcadas da curva suave e engenhosa da ponte.
Continuamos sem tocar o fundo, e o vento que agora trazia um nevoeiro á mistura e um frio que nos obriga a uma agasalho circunstancial, passando a torreira chegamos à praia e atracamos na areia, que belo barco este que fica tão bem fundeado na areia. E fomos ao encontro, mais uma vez de duas mulheres que nos esperavam mas que de facto nós é que sempre as esperámos, ali sentadas e curtindo a paisagem e as suas paisagens de relevos e píncaros, termos de "endearment". Voltámos também velejando, coisa rara e sem sobressaltos, apenas o horário e os baixios e o vento de norte, suave mas saltitando o que nos obrigou a bordejar infinita e regularmente até ao Carregal onde chegamos cerca das 19 horas, tudo atrasado, excepto o arroz de tamboril e os brancos esses que ninguém nos tira nem o excesso de mineral, ou argila ou trovoadas fora de época que possam prejudicar as vindimas. Os amigos que ficam e que transportam as diferentes possibilidades de rever o futuro, armadilha vocabular para contornar o tempo que nos falta e que tanta falta nos faz.


Monday, January 22, 2018

Plano de atividades para 2018

Plano de actividades para      2018

1.    ACTIVIDADES REGULARES


 Contexto atual; consolidação e crescimento do projeto

A CENÁRIO tem vindo a aumentar o seu espólio patrimonial de índole museológica, consubstanciado em embarcações doadas ou adquiridas.
Atualmente este espólio, propriedade desta Associação é constituído pelas seguintes embarcações:

Veleiros

1-    “Brisa” – Classe Dragão, construído em 1950/51 na Dinamarca. Participou nos jogos Olímpicos de Helsínquia com o nome de “SNUDE”, tendo obtido o quinto lugar. A tripulação era composta por campeões olímpicos que noutras edições dos jogos obtiveram diversas medalhas.
(A necessitar restauro)

2-    “Nut” – Pequena embarcação construída em Arcachon nos célebres estaleiros de Pierre Mattonat por volta de 1950, encontrando-se praticamente no seu estado original. Casco em mogno, de notável técnica construtiva.
(A necessitar restauro)

3-    “Maçarico” – Classe Sharpie 12M, construído nos anos 50, participou nos campeonatos europeus de sharpie 12M em 1984 e 1988. Pertenceu ao grande velejador e instrutor da Escola de vela da nADO “ José “ Raquiço”.
(A necessitar restauro)

4-    “Marilinda”- (Em Parceria com família de F. Alçada) Barco de notável envergadura, com 7,5 metros de comprimento, construído por volta de 1940 e que navegou na Ria de Aveiro após ter sido encontrado nos areais junto ao Furadouro. Pertenceu a Francisco Alçada, Industrial de Ovar que o transformou em pequeno veleiro de cruzeiro, navegando pela Ria, onde participou por diversas vezes no Cruzeiro da Ria.
(Em restauro)

5-    “Alecrim” – Pequeno escaler à vela e a motor, construído em Viana da Castelo e que serviu de salva-vidas, barco de pesca e barco de recreio. Navegou na foz do Minho após restauro no estaleiro de José Freitas, célebre construtor naval da classe “Vaurien”, natural de Válega, mas que desde novo se radicou em Leixões, Leça e Sta cruz do Bispo. Participou durante vários anos nas atividades da CENARIO, mas neste momento encontra-se a aguardar restauro.

6-    “Atlântico” – Classe “Snipe”, adquirido ao Clube de Vela Atlântico, de Leça. Restaurado na Cenario.
(Pronto a navegar)

7-    “Ana” - Classe “Snipe”, um dos barcos desta classe mais antigos em Portugal, (Em restauro)

8-    “Gabiri” – Classe “Cherub” de origem neozelandeza, restaurado na Cenário, pronto a navegar. Embarcação muito rara em Portugal.

Lanchas a motor

1-    “Maria Cristina” – Lancha construída no lugar da Ribeira entre 1962 e 63, pelo seu anterior proprietário e por um grupo de amigos onde se destacavam Manuel Patarena e João “das  Enguias”, os autores do projeto. De desenho único e original, equipada com um motor volvo penta C2 de 1944 (peça muito rara), esta embarcação navegou por toda a Ria em passeios familiares e em façanhas de pesca desportiva memoráveis, tornando-se uma embarcação icónica.
(A navegar, com restrições)

2-    “Pipocas” – Lancha construída em meados dos anos 60 no estaleiro de Horácio Lopes “Da melra” situado na av. Da Régua, para um industrial do Porto. Esta lancha, de notável e original desenho, constitui, com a “Maria Cristina” dois exemplares únicos no panorama da náutica de recreio. Adquirida em finais de 60 por um médico natural de Válega, durante muito anos foi palco de passeios entre familiares e amigos, entre Ovar e a Torreira. Encontrando-se em mau estado de conservação, foi doada á CENÁRIO para que se restaurasse na traça original.
(A aguardar restauro)

São portanto, dez as embarcações da Cenário. Mas teremos ainda que referir as embarcações dos associados da CENÁRIO que aqui se restauraram e que se mantêm, participando nas atividades, regatas, passeios, exposições, por nós organizadas. Objetos de inegável valor identitário, de promoção da prática desportiva, resultado de uma grande arte. Muitas destas embarcações encontram-se em Ovar, nomeadamente nas instalações da NADO, onde através de protocolo com este clube, ali as temos guardadas. Este aspeto será de grande relevância para podermos continuar a agregar “peças” cuja natureza justifiquem a sua guarda, manutenção e divulgação, num contexto de utilização e usufruto do patrimómio náutico de recreio que encontrou na Ria de Aveiro espaço e condições para prosperar.

Podemos referir neste contexto, propriedade da associados da CENARIO, as embarcações “Aventura”- classe Vouga, “Finório”- classe Finn, “Melody” – classe Andorinha, “Cisne” – Pequeno Cruzeiro,  e outras que se encontram em S. Martinho, Leça, Aveiro … e que promovem a nossa associação fora do contexto do concelho.

Objetivos para 2018

Temos pois como objetivo primordial da CENARIO a manutenção e restauro de embarcações notáveis para a história náutica da região, representativas da arte da carpintaria naval.

Os processos de envolvimento e participação da comunidade com as coleções dos museus ou núcleos museológicos, através das narrativas biográficas dos próprios objetos, contribuem decisivamente para a criatividade, desempenho e crescimento dessa mesma comunidade, que cada vez mais integra visitantes e viajantes.
A museologia, hoje, está a ser desenvolvida no sentido da integração social, da criatividade e da inovação, mesmo a nível tecnológico. É este o nosso desígnio, o desenvolvimento de um pólo da cultura náutica onde a NADO o CCO e a CENARIO possam promover a criatividade, o conhecimento e o desporto.

Portanto, e dado o património material e imaterial de que dispomos, iremos continuar a sensibilizar a Autarquia e a Região no sentido de podermos alargar o nosso espaço e a nossa missão para novas instalações onde possamos desenvolver todo o potencial museológico que possuímos. A criação de um pólo de interpretação e desenvolvimento da náutica de recreio, no Carregal, topo norte da ria de Aveiro, é projeto de relevo para o concelho e para a região, pois resultará numa narrativa inovadora e original em redor do património Náutico de Recreio, onde Ovar se coloca na linha da frente, desde a década de 50 do sec XX.

Nas instalações onde nos situamos, no Cais do Puxadouro, em Válega, vamos continuar a:

-Estar disponível para visitas guiadas á Associação, divulgando a cultura e o património náutico de Ovar e da Região de Aveiro, no contexto da cultura náutica .

-Reforçar laços com instituições de ensino do concelho nomeadamente agrupamentos de escola.

-Promover a descoberta do território Ria
-Promover a prática da vela utilizando embarcações originais

Em 2018 pensamos levar a efeito as ações que se elencam neste plano, mas teremos que referir que outras atividades surgem para além do que se planeia, decorrendo daqui custos e receitas que não é possível contabilizar neste momento. Vamos consolidar a parceria com a Náutica Desportiva Ovarense nomeadamente para a divulgação da prática da vela desportiva.


Atividades regulares previstas:

Janeiro

1.2.1
Colocação de convés e pinturas na “Marilinda”

Preparação de madeiras para execução de mastro

Preparação do registo (desenho) da embarcação “Pipocas”


Fevereiro 

1.2.2
Início das atividades de ar livre, promoção da prática da vela. Preparação de embarcações para as atividades.

Fabricação de mastros para as embarcações “Cap Corse”, “Andorinha” e Vouga”

Abril

  1.2.3   - Eco Percurso

Em Parceria com instituições de índole ambientalista e de atividades ao ar livre ( Amigos do Cáster)

Preparação de embarcações, caminhada até à foz do Rio Negro

Maio      dia 26       

1.2.4 –  Comemoração do XIV aniversário da CENARIO *

a) -Passeio/ regata na Ria de Ovar, (Puxadouro – Torreira - Puxadouro)
b) -Palestra com convidado especialista na área da História náutica e dos descobrimentos, Dr. Alfredo Pinheiro Marques ou Dra Inês Amorim.
c) - Lanche e cerimónia de acender das velas com momento musical.

Junho

1.2.5  - II Workshop Fotografia – Impressão de negativos em papel.

Resultado da doação feita à CENARIO por uma associada, temos o equipamento necessário para a realização de um workshop de fotografia destinado a um público mais jovem, desconhecedor do processo químico e óptico da fotografia tradicional/analógica.
(Na primeira experiência tivemos apenas duas inscrições, mas concluímos que devemos repetir)

  Duração: 2 dias                                                       

Agosto

1.2.6 - Participação na 55ª  Edição do Cruzeiro da Ria

Total custos :           50 euros ( deslocações com barco de apoio)
Receitas previstas : 30 euros ( merchandizing)

Setembro

         - Passeio/Cruzeiro a Salreu, visitando os espaços Bio-Ria. (dois dias)

Outubro    dia 6

1.2.7 - Organização e execução da 12ª Regata Cenário- Clássicos da vela na Ria de   Ovar. *

       Em parceria com a NADO- Náutica Desportiva Ovarense e a Associação Náutica da Torreira.

Objectivos:
- Colocar a Ria de Ovar no roteiro das regatas de barcos de tradição, os clássicos da vela de recreio, patrimónios de Ovar e da Ria de Aveiro.
- Prática da vela desportiva e de lazer.

Espera-se a participação de embarcações das classes: Andorinha, Sharpie 12 M², Vougas, Vaurien e  Snipes, entre outras.
                                
De modo continuado e regularmente a CENARIO promoverá em 2018 os seguintes trabalhos de restauro:

- Dada a dinâmica conseguida com a colaboração regular de um colaborador, está em conclusão o restauro da embarcação “Marilinda” e posteriormente iremos dar início ao restauro da embarcação “Pipocas”. Pretendemos ainda concluir o restauro do snipe “Ana”.

A recuperação da embarcação “Pipocas” pelo seu significado e pelas possibilidades de  passeios será considerada de primeira prioridade a partir de Outubro.
Este restauro implicará um investimento superior a 10.000 euros

 - Continuação do restauro da Embarcação “Ana” pelos associados Carlos Aguiar e José Lemos.

- A decorrer, pelo proprietário, o restauro da embarcação “S. Gabriel”, classe “Cap Corse”, do associado Denis Begasse.

 Manutenção regular das seguintes embarcações:

Maria Cristina”  - Construído nos anos 40 em Matosinhos
Ternabout” - Embarcação chegada à CENÁRIO para manutenção e usufruto da associação, mediante protocolo firmado com o Associado António Manuel Barreto.

1.2.9 - Recolha de imagens e informação sobre o património náutico da região e da relação de Ovar com a cultura náutica, com o objetivo de criar um acervo do património imaterial relacionado com a náutica Ovarense.

Dar continuidade ao trabalho efectuado desde 2007
-Recolha de documentos fotográficos
-Recolha de testemunhos - vídeo documentário *

1.3 - Prestação de serviços na área do restauro e manutenção de embarcações

1.3.1 - Restauro de embarcação “Sail Horse” de origem holandesa, para um novo associado .

1.3.2. – Restauro de embarcação da classe Sharpie 12M, para Jorge Andrade.

2 – INVESTIMENTO ( despesas de capital)

2.1- Melhoria de condições na sede da CENARIO
- Pinturas de fachadas
1500 euros
- execução de piso técnico para armazenar madeiras                     
                          400 euros
Aquisição de serra de fita

1500 euros

Friday, November 24, 2017

Objetos, coisas e a recusa do vazio.




O olhar atualizado que se propõe sobre os objetos no contexto das políticas patrimoniais tem como propulsor a ideia de biografia dos objetos. O conceito de biografia, sistematizado de forma pioneira por Kopytoff (2008), abre espaço para se pensar numa questão fundamental no campo do património: os objetos devem ser interpretados em ação, mimetizados nos contextos sociais e temporais em que circulam:
Molinete embarcação "S. Gabriel"
Galhardete da "Andorinha" OVAR de Antero f. Malaquias. ( anos 40)

Ao fazer a biografia de uma coisa, far-se-iam perguntas similares às que se fazem às pessoas: Quais são, sociologicamente, as possibilidades biográficas inerentes a esse “status”, e à época e à cultura, e como se concretizam essas possibilidades? De onde vem a coisa, e quem a fabricou? Qual foi a sua carreira até aqui, e qual é a carreira que as pessoas consideram ideal para esse tipo de coisa? Quais são as “idades” ou fases da “vida” reconhecidas de uma coisa, e quais são os mercados culturais para elas? Como mudam os usos da coisa conforme ela fica mais velha, e o que lhe acontece quando a sua utilidade chega ao fim? (Kopytoff 2008, 92)
motor Volvo Penta C2 
A perspetiva biográfica dos bens patrimoniais, e dos seus movimentos, dentro e fora das fronteiras institucionais – ou, melhor dizendo, dos seus ciclos de vida – dão sentido à ideia de que os objetos são valorizados na sua interação social. Esta perspetiva coloca-nos, de forma contundente, frente a uma questão nevrálgica dentro do campo epistemológico dos museus: o valor dos objetos não é monolítico ou exatamente objetivo; pelo contrário, o valor potencial dos patrimónios só ganha contorno, peso e forma fora dos limites objetivos da sua materialidade.
Placa identificativa do construtor ( embarcação "NUT")
O texto vem daqui:

https://midas.revues.org/1286

Sunday, November 05, 2017

"PIPOCAS" - a lancha.


Esta lancha, a "PIPOCAS" foi doada à CENÁRIO. Está um bocadito deteriorada, mas merece toda a nossa estima. Construída em Ovar no estaleiro de Horácio Lopes "Da melra" entre 1965 e 1967.
Este Mestre Horácio era personagem de carácter forte, princípios assentes numa individualidade inquebrável. Instruído pelas ondas do mar de Ovar e inspirado pelas águas da Ria, intérprete rigoroso do génio Vareiro, ou Ovarense se preferirem, lutador em época de vida difícil, pautada pela escassez de meios, nas dificuldades de adaptação ás novas tecnologias, diga-se mecanização e industrialização para o mercado decadente da industria da carpintaria naval de recreio de meados dos anos 70 ( sec XX). Conheci-o de relance, era eu muito novo, fugazmente visitei a sua garagem/estaleiro ali na AV. da Régua, a caminho do Furadouro com um amigo, seu familiar, sem perceber o alcance da sua arte nem a grandeza do seu génio. Através de um ilustre Valegense, que nos doou a lancha, e de um seu amigo, temos vindo a perceber melhor este personagem do panteão náutico ovarense.
Mas que lancha é esta? Bem a "Pipocas" originalmente tinha dois motores de 50 CV e foi construída para um industrial do Porto, de nome Barros. Adquirida pelo Dr. Jaime Duarte, natural de Valdágua, foi palco de inúmeros momentos de confraternização e alegria entre Ovar e S. Jacinto, com a sua família, com amigos, que se instalavam preferencialmente no sítio das "piscinas" ali nos areais desaparecidos junto à Ponte da Varela. Os pormenores construtivos e o design de alguns elementos, como o habitáculo, os beliches ou o banco rebatível para o timoneiro, refletem a qualidade e a criatividade do seu autor.
Resta-nos, como coletividade cujos objetivos são sobretudo de índole museológica, estar à altura da tarefa de recuperar esta lancha.
Para já estamos a retomar os trabalhos na "Marilinda" para depois nos dedicarmos à Pipocas". Estas tarefas, cada vez mais, ultrapassam as capacidades da CENÁRIO, pelo que necessitamos de todo o tipo de ajuda. Material, manual e espiritual. Fica aqui um apelo, a todos os que simpatizam com o nosso projeto, pois mesmo com ajudas institucionais, os projetos estão a ficar cada vez mais sérios. Aguardamos as desejáveis parcerias com a CIRA, para que conjuntamente com Ovar se encontrem caminhos para a patrimonialização destes objetos de enorme valor pedagógico, social e cultural. Áh! pois, e turístico. Também.

A "Pipocas" na Av. da Régua, junto ao local onde foi construída.

Monday, October 09, 2017

Crónica da 11ª Regata - Clássicos da vela na Ria de Ovar

 30 de Setembro.
Após uma semana de preparativos; dos veleiros, das embarcações de apoio, de troféus, dasTshirts comemorativas, do lanche, dos músicos, da "comissão de regatas", etc, etc, chegámos ao dia da Regata.

O percurso, como estava previsto, seria Ovar ( Carregal) - Válega ( Puxadouro). 
De Aveiro chegou o "Celta" , vouga da Brigada Naval que iria ter a companhia do "Aventura", de Torres Vedras veio a "La Rondine" andorinha que iria ter outras duas andorinhas de companhia, o "Melody" e o "Andorinha".



















E o barco que juntamente com o "Aventura" e o "Melody" participou em todas as edições desta regata de veleiros clássicos, o "Cisne". Tinhamos ainda uma estreia absoluta, o "Ternabout" que estava finalmente pronto para velejar.


Para o apoio estava o "Explorer"( colaboração da NADO e ajuda determinante do pedro Silva) e a "Maria Cristina", comandado por Carlos Andrade.

Finalmente, depois de preparativos finais, mudas de velas, colocação de bóias, deu-se a largada, Pum!


Acontece que o vento crescia. Estávamos agora com umas rajadas de 17 nós...de NNW, e uns saltos de Norte. Todos em pôpa, de vez em quando raza, eis que chegamos ao Torrão do Lameiro; os vougas, o "Andorinha"o Cisne, em franca e alegre disputa. Mas crescia o vento e a regatice avolumava-se na frente, "aventura e "Celta na liça... Um golpe de vento e uma vela grande muito cassada depois de arribar um pouco, eis que o "Aventura" não aguenta a cambadela inesperada, e vira.


Mais na frente, o mastro do "Andorinha" não aguenta uma rajada mais forte e faz-se em dois. Trás!... Passados uns instantes, na rondagem da bóia junto à ponte da Varela, o "LaRondine" não controla o golpe de virar de roda e vira... mesmo. Três embarcações fora da regata e o barco de apoio com muito trabalho. O Cisne decide rebocar o "Andorinha" desarvorado até ao porto de recreio, regressando ao Carregal.
Restava em regata o "Melody" e o "Celta". Neste último, alguns mordentes davam de si. O moitão da grande cedeu com a linha de chegada à vista. Desceram a grande e tentaram prosseguir só com estai.

 A "Maria Cristina" ofereceu-se para um reboque, mas não. Vai daí , só com estai o "Celta" arribou e foi para a um baixio, pois já estávamos na vazante e as marés não eram muito vivas. Ainda, o vento Norte agora rijo, aumenta a corrente de vazante...

 O "Celta" encalha, no melhor sítio para encalhar. Como a tripulação não é conhecedora do meandros locais, ali ficou, apesar dos esforços para os resgatar. E muito contrariados e incrédulos, ali ficaram até á próxima maré. O "Melody", e o "Turnabout", já a motor, foram as únicas embarcações a chegar ao Puxadouro. "Melody, com pouco pano, venceu a regata e sagrou-se campeão nacional da Classe Andorinha, neste 2º Campeonato da nova era.
Em terra os procedimentos continuavam , com animação musical, lanche e brindes à tripulação vencedora. Mas a preocupação com a tripulação do Celta marcou o tempo de espera pela maré. Foram resgatados por volta da meia noite e 30, com direito a jantar quente. 

A noite era calma e havia luar.










Thursday, September 21, 2017

Uma daquelas tardes, prenúncio de norte, forte e frio.

Numa daquelas tardes, prenúncio de norte, forte e frio, zarpámos. Objetivo: Puxadouro. 
As embarcações, para um passeio com amigos no dia a seguinte: "Maria Cristina", "Melody" e "Turnabout", todas em modo mecânico. Cada barco seu marinheiro.
Partimos do Porto de Recreio do Carregal, não sem antes prepararmos o corpo com o almoço e o espírito com uma maré alta que demora... Lângida tarde de Setembro.


Demora mas não tanto. Depressa a água descia, descia, evitámos o Canal das Vacas, mítico percurso entre as marinhas, istmo que relaciona o rio de fora com o rio de dentro, o rio de Ovar com o rio do Mar.


 O vento frio e forte cada vez mais forte. A "Maria Cristina" encalha junto a Pardilhó. Em vão tentámos contrariar o vento e o lodo mole, onde o leme se acomodou. Máquinas a toda a força. Humanos e lodo em afincada luta. Disputa. Em vão.

Plano B.
Prosseguimos nas  restantes naus . "Melody e "Turnabout".
Uma outra maré regressaríamos para a reabilitação da embarcação.  Água de pouca-dura. Com tanto tempo perdido, a água agora é lodo e aves. Tentámos a margem, a pé, quais eremitas em busca de abrigo. Voltámos à base, a cabine do Ternabout. Estava escrito. Pelo menos seis horas de espera.
O pior era o frio, a pouca roupa, molhada, o abrigo da cabine, qual Apolo 11...!



 Era o tempo dos papagaios, do N`Gage, da força aérea em África.  Comunicações.


E a roupa não secava, lá fora faz frio.


A imagem da maré vazia. A desolação. / Aí por volta de 1983 mergulhava eu por aqui junto à Ponte, e entre os limos, o moliço, as algas, vi cavalos marinhos. De vez em quando viam-se cavalos marinhos, essas frágeis criaturas.


 Um outro dia.

 Os amigos e o passeio, aguardamos a subida da água. E os motores esses imprevisíveis motores...







 O almoço, em modo pic-nic a bordo, junto ao junco, os flamingos na vizinhança. No
esteiro das vacas, penso que aqui se rodaram umas cenas do filme de Paulo Rocha, "Mudar de Vida".


Os nossos amigos que vivem numa bela casa no Torrão do Lameiro, desenho de muita qualidade do Rui Fidalgo Ventura para o Miguel ... Sorte a destes franceses, apreciadores do nosso sol e das vistas planas e calmas.
O grupo da "Maria Cristina", o navio almirante.
et les madammes, les madammes.

on est arrivé.


Monday, September 18, 2017

11ª Regata - A velejar desde 2006