Wednesday, April 14, 2021

Em busca de cenários...

 Rodrigo Areias realizador e produtor da "Bando à Parte" entre outros personagens importantes para a concretização de um filme, cinema em longa metragem, estiveram de visita a Ovar à Ria e à CENARIO.  Em busca de cenários para o filme que terá a Ria como um dos elementos fundamentais. E mais não digo, porque muito mais não sei.

Mas sei o que se realizou, até agora. Partimos do Carregal, destino ao cais do Puxadouro. Visita à CENÁRIO e regresso ao Carregal. Uma equipa para lá, outra para cá, e assim se concluiu uma tarde de regresso à vela, a bordo do "Balalu" Que saudades!




Em modo de regresso. Pintura da fachada.

Naqueles dias de antes da Páscoa, e após ausencias muito sentidas, encarámos esta tarefa com bastante animação, diria mesmo; euforia. O evento poderia remeter para memórias de aventuras na longínqua infãncia, algo do género "Os cinco voltam ao cais", mas pareceria demasiado nostálgico ou saudosista. O importante é o momento, o agora! E foi essa energia do "agora!" que motivou a que se concluísse esta tarefa de pintura da facha da da CENARIO, já iniciada em dezembro, mas que por via da moléstia que nos assola, foi projetada para o "logo que seja possível". E foi.

                                        

O início dos trabalhos, tudo ainda muito lento...

Parece o outono...

Os portões a ficarem limpos,


E em equilibrio constante, o branco ganha terreno,

assim como o azul, esse azul que faz lembrar viagens a Marrocos,



 e depois de tanto viajar, sente-se que falta algo... o almoço!

                                        

Que nos recorda uma polegada de azul, nem mais.


 Uma linda fachada, não é?

Thursday, October 22, 2020

Handsurf, o surf minimalista.

 Surfar apenas com as mãos e o corpo, descendo a onda, com uma prancha minúscula na mão, eis um novo desporto que desponta, concorrendo com outras atividades que deslizam, saltam e voam, sobre as ondas. O João pratica esta atividade, e vai até Carcavelos para uma prova, um campeonato... e fabricou a sua própria "mini-prancha" na Cenário.

A madeira é sequóia, que veio do Buçaco há alguns anos e que segundo ele é uma ótima madeira para este tipo de objeto. Eis o resultado final: ( boa sorte! João).






Design; João Moço


Friday, October 09, 2020

" Vela Areínho e o desvio da agulha"

 

            Amplitude :                                   

             O charmoso e icónico “Vela Areínho” e sua envolvência podem funcionar como uma estrutura de índole museológica, focada nas memórias e patrimónios náuticos de Ovar e da Ria de Aveiro?

            Origem e breve história do projeto “Vela Areínho”

O sítio do “Areínho” era formado por uma duna que se estendia até á água da ria em suave declive desenhando uma pequena praia em forma de baía orientada a sul.

Apartir de finais dos anos 40, a crescente utilização deste aprazível espaço natural, abrigado e sob a sombra de pinheiros, levou alguns utilizadores que ali chegavam sobretudo de barco, a improvisarem apoios de praia e por volta de meados dos anos 50 já ali funcionava uma pequena petisqueira ( tasca do António da Vareirinha)… Esta realidade incentivou a Junta de Turismo do Furadouro, através da Câmara Municipal, a projetar e construir sanitários, chuveiros, bar de apoio, esplanada, iluminação, prancha de saltos para a água, estacionamento... Simultaneamente, iniciara-se a construção do que viria a ser a estrada nacional 327, unindo Ovar a S. Jacinto. Estas obras, de carácter eminentemente moderno, foram inauguradas em 1959 e transformaram radicalmente o local que se revelou fortemente atrativo e cada vez mais frequentado.

À época, o Estado Novo através do Ministério da Economia, apostava numa política de desenvolvimento turístico a nível nacional, de que é exemplo o programa das Pousadas de Portugal.

A Pousada da Ria, no Muranzel, estaria já na lista de projetos a implementar, e a junta de Turismo de Aveiro viria a construir uma estrutura de apoio a veraneantes, as famosas "Cozinhas" já perto de S. Jacinto. Planeava-se tornar a Ria de Aveiro em um pólo de atração a nível nacional e mesmo internacional.

É pois com naturalidade que surge a possibilidade de financiamento para a construção de um equipamento de restauração e apoio a atividades náuticas na praia do Areinho, pois as infraestruturas de apoio à praia construídas nos anos 50 já não serviam para todo o tipo de públicos que a frequentavam.

Da autoria do arquiteto Cruz de Lima, e do eng. Braga da cruz, (Técnicos ao serviço da Câmara Municipal de Ovar), foi construído no leito da ria, sobre uma ilha artificial, um restaurante e estruturas de apoio resultando num belo conjunto, exemplar da arquitetura moderna na vertente que se veio a denominar de “regionalista”. É possível, pela linguagem construtiva e pela harmoniosa inserção no espaço “natural” envolvente, encontrar semelhanças com o projeto de Siza Vieira para o restaurante da “Boa Nova”, em Leça.

Inaugurado em 1969, foi denominado “Vela Areinho” e desde logo se tornou o melhor espaço de restauração de toda a região da Ria de Aveiro.



Em conjunto com a Praia do Areinho e estruturas de apoio, o restaurante Vela Areínho, a esplanada e os espaços envolventes, atraíam velejadores, veraneantes e visitantes de todo o país, nomeadamente do Porto e de Lisboa. Do Porto pela proximidade geográfica, de Lisboa, pelos fortes relacionamentos sociais, económicos e institucionais de Ovar com a capital. 

No início dos anos de 1970 construiu-se o Porto de Recreio do Carregal, ao longo da EN 327.  Sobre as dunas, entre o Carregal e o Areínho, construíam-se interessantes moradias de caráter moderno, algumas segundas habitações. A SNADO tornava-se um dos clubes náuticos mais conhecidos e respeitados no meio náutico, nomeadamente pela organização da regata mais emblemática de Ria de Aveiro, o “Cruzeiro da Ria”.

Curiosamente e respondendo a um planeamento ainda muito embrionário, estimulado por linhas estratégicas do poder central, implementavam-se equipamentos, construíam-se infraestruturas, fomentava-se o investimento, criando-se um excelente pólo de desenvolvimento. Este conjunto, Areínho, Porto de Recreio, Clube Náutico, Restaurante, Moradias, Pousada da Ria… faz lembrar, salvaguardando as escalas e o tempo, o projeto da lagoa de Pampulha em Belo Horizonte, no Brasil, ( Kubichek, Niemeyer, Negrão de Lima, Joaquim Cardozo)



            Situação atual

Nos tempos mais recentes, o restaurante Vela Areínho tem estado encerrado e sem interessados em assumir a sua exploração. Encontra-se desprovido de equipamentos e mobiliário e já sofreu atos de vandalismo que resultam em alguns sinais de degradação, devendo ser tomadas medidas de prevenção e salvaguarda do imóvel.

Os espaços exteriores também se encontram degradados e a necessitar requalificação e algumas infraestruturas nomeadamente a iluminação interior e exterior necessitam de ser intervencionadas.

No entanto, pensamos que não seria necessário um grande investimento para se retomar o seu funcionamento, tendo em vista uma nova função, como a que se propõe, proporcionando a "fusão" entre a gastronomia e a náutica, que tão bons resultado promove.

 

        Projeto museológico ? Interpretação de Território? Cozinhar a transversalidade talvez

 Pelo o seu carater construtivo, pela localização e pela sua história, fortemente relacionada com a Ria e com a Náutica de Recreio, (na memória descritiva do projeto é mencionado que o espaço está vocacionado para apoio ás atividades náuticas), pensamos que a alteração de uso para uma nova função de índole museológica, com o tema da evolução da vela desportiva, da indústria da carpintaria naval e da arte dos barcos, faz sentido e é desejável

A originalidade e a universalidade do tema, o seu carater comunitário e a relação com a identidade ovarense são fatores valorizadores do projeto, se em confronto com uma exploração de índole meramente empresarial, devolvendo o espaço á comunidade Ovarense e a todos os que percorrem a Ria e seus territórios.

A ocorrer, esta transformação deverá adaptar-se ao edifício existente, mantendo o seu caráter e a conceção espacial, e as necessárias adaptações poderão mesmo realçar e reforçar a sua originalidade arquitetónica. 

Os espaços exteriores da ilha onde se encontra implantado o edifício e toda a envolvente imediata, incluindo o espelho de água contíguo, reforçam esta possibilidade, contribuindo para a diversidade programática, para o enriquecimento do discurso museográfico e para o desenvolvimento de uma estreita relação com o território das Rias de Aveiro, através nomeadamente da navegabilidade.

O programa funcional? Já se encontra elaborado há algum tempo...

Os custos? Custa, mas não muito. 

A decisão? Dói, pois desviar a agulha é processo lento, como nas variações do campo magnético... 

Mas, lembrando Pessoa, primeiro estranha-se, depois, entranha-se.


Tuesday, September 29, 2020

XIV Regata CENARIO


A regata de clássicos da vela ligeira da CENARIO é um evento que procura preservar o património náutico, promover a vela desportiva e de lazer, agregar pessoas de diferentes faixas etárias, meios sociais e diferentes ideologias, fomentando a cidadania e o diálogo em torno da cultura náutica, do ambiente e do desenvolvimento.

A identidade cultural dos territórios da Ria de Aveiro é o reflexo do espelho de água que se estende e ramifica pela terra adentro, numa simbiose de caminhos, de água e de terra, que confunde e contamina os visitantes e que molda e constrói os aqui residentes. A mobilidade e os modos de subsistência que a via da água fez desenvolver ao longo do tempo deixou marcas e moldou paisagens, caracterizou diversas culturas. 

Temos o dever, (e o prazer) de identificar, promover e recriar estas relações entre territórios e culturas, fomentando novas descobertas identitárias numa globalização cada vez mais próxima dos lugares de exceção, como é o caso da Ria de Aveiro.

Na sua vertente mais a norte, no canal que é Ria de Ovar, a vela desportiva, o desporto náutico e de lazer, deram continuidade ao relacionamento secular entre o Homem, o Mar e a Ria. Deste modo agregaram na modernidade, o que era atrasadado, pobre e pitoresco. Da vida dura da apanha do moliço, da pesca artesanal, da  pobreza, ao longo da segunda metade do sec XX, ultrapassando a barreira da subsistência, construimos um novo tempo que se consolidou com a instituição da democracia e do alargamento do ensino, do desenvolvimento cultural e desportivo a quase toda a população.

No entanto, em Ovar este fenómeno teria já sido iniciado muito antes de 74. Que o digam os fundadores do GAV, da SNADO, e os promotores dos eventos desportivos e culturais do Orfeon de Ovar.

Que o digam os promotores do Cruzeiro da Ria, que mesmo enquadrados e muito respeitosamente reconhecidos pelas instituições de então, deram um enorme abanão na mediania cinzenta com que se vivia o quotidiano, pautado por festas e romarias em seculares Bateiras, Moliceiros e Mercantéis... 

 A XIV regata de clássicos da vela ligeira, organizada pela CENARIO com o apoio da Câmara Municipal de Ovar e com a colaboração da NADO- Náutica Desportiva Ovarense, teve seis barcos inscritos, em 13 velejadores participantes nas regatas. Três "Andorinhas" dois "Vougas" e um "Sunfish". Não foi o evento mais participado de sempre, muito pelo contrário, mas foi dos melhores. Vento e temperatura de eleição, boa disposição regatas disputadas. Organização e apoios na água, barco do Jurí, bandeiras sinais sonoros, bóias e percurso no campo de regatas entre o Carregal e o Torrão do Lameiro, passando pelo Areínho, (e que pena o Vela no Areínho não estar ao dispôr da Náutica, como proposta apresentada pala Cenario na CMO há um par de anos...)

Da Costa Nova, a navegar, veio o "Zinda" embarcação de 1942, de tripulação feminina, que de Lisboa vieram até Ovar. Foi a primeira vez que cá vieram, e ficou a certeza possível,  de que para o ano cá estarão...

Para colaborar e participar na regata vieram velejadores e entusiastas do Porto (8) de Porto de Mós ( 1) de Lisboa ( 2) da Costa Nova (1) de Ovar (9) de Estarreja (1) ...

A CENARIO agradece à NADO- Náutica Desportiva Ovarense, a Melqui Figueiredo pela utilização do "Almejo" como barco do júri, a Pedro Silva, a António Barbosa e Manuel Carvalho, à equipa dos troféus e Tshirts, e á Cristina, pelo bolo de chocolate. (hum!)

À Câmara Municipal de Ovar, pelo apoio que torna a CENARIO mais possível.



Classificações;

Geral

6º - "Pilrito" classe sunfish de Artur Gonçalves

5º - "Melody" ,       Andorinha, com Jorge Dias e J. Lemos

4º - "Nauta",          Andorinha com Alberto Osório e  A. Rosas

3º - "Andorinha" , Andorinha, com Miguel Lopes e R. Malaquias

2º - "Zinda"          Vouga , com Joana Paião, Teresa e Carla

1º " Aventura"      Vouga, com Helder Ventura, R. Costa e Daniel


Campeonato Nacional de "Andorinha"

3º - "Melody"  com Jorge Dias e J. Lemos

2º - "Nauta , com Alberto Osório e A. Rosas

1º - "Andorinha" com Miguel Lopes e Ricardo Malaquias


A Regata

Fizeram-se três regatas com bóias colocadas junto ao cais da Pedra e Torrão do Lameiro. As largadas foram dadas do Lugar da Azurreira onde estiveram algumas pessoas a observar as largadas.
Foram quase 4 horas na água e o vento esteve algo incerto mas sempre presente, entre os 13 e os 7 nós de NNW. Iniciámos com duas horas em antecipação à preia-mar e nos primeiros bordos o fundo fazia-se sentir nos cabeços menos profundos, dando vantagem a quem conhece estas águas.... ou a falta delas.  Os Vougas destacaram-se no andamento, nada de surpreendente, mas os Andorinhas não andavam longe. Os momentos  de preparação entre regatas eram curtos. Sempre com boa disposição e bem orientados pelos sinais sonoros do barco do jurí que diga-se fez um bom trabalho de promoção da vela tradicional, usando um sino... Já tínhamos saudades daqueles sons mais próprios do período pascal.
Posteriormente já na sede da CENARIO fez-se a entrega de prémios. 
Domingo estava um vento rijo e apenas foram para a águas duas embarcações, o Melody e o Zinda que desceu a Ria até à Costa Nova com 4 tripulantes a bordo. Com paragem no "Guedes" para umas "brisas", fez 3 horas até ao CVCN! 



A tripulação mais elegante 


                    Preparativos para a largada, com a vela colorida do Pilrito em último plano




O novo Campeão Nacional da classe Andorinha... destronando o "La Rondine" que não veio defender o título.


A tripulação do Aventura após cortar a linha de chegada...




"Melody" a única embarcação que terminou todas as 14 edições das Regatas CENARIO 


A beleza e o estilo do "Zinda"



Amuras!


A entrega de prémios e os prémios adquiridos no momento...


Os troféus, "nogueira preta", da mata do Buçaco.


Cartaz e Programa


O minimal Cruzeiro da Ria, com ventos de fazer enjoar os peixes



29 e 30 de Agosto /2020

Não foi o "Cruzeiro da Ria". O Cruzeiro da Ria é um evento que se projeta desde as memórias perdidas dos que já não as podem contar. Arrasta consigo uma grandiosidade que se explica pelos números; de barcos, de velejadores, de peripécias infindas, de 57 edições a reunir Ovar e Aveiro.
Mas, neste dia 30 de Agosto, valeu a pena velejar, com uma tripulação segura. Isto é, não permitiu danos na embarcaçao, que navega desde 1960. Ventos que chegaram aos 25 nós, dizem. Surfámos até à boia, mas depois... Água, muita água... E vento na proa. Alcançámos a capela do Torrão, mas ficamos por ali. Muita água embarcada e um encontro imediato com as bóias e o tubo das dragagens. Um sarilho que milagrosamente correu bem. Para começar , ainda antes da largada, a cinta partiu e os dois proas transformaram-se em fuzileiros navais. Assim como uma espécie de advertência...


na largada

De vento em pôpa

 uma frota reduzida...

 ao largo, muito largo
e acabámos em segurança


 

Saturday, February 29, 2020

A 7 de Março, Válega e as Musas.

Dia 7 de Março, sábado, vamos reunir na Cenário um pequeno grupo de pessoas para falarmos de museologia e visitarmos o Museu Escolar Oliveira Lopes. Teremos a oportunidade de conversar com a museóloga Maria da Luz Sampaio.

O programa será o seguinte:

10;45 horas - chegada à cenário
11:00 horas - visita á cenário e conversa sobre o potencial museológico ali presente (território, identidade, desenvolvimento..., ) 
12:30 - almoço na cenário (possivelmente arroz de robalo)
14:30 - partida para o museu escolar Oliveira Lopes (percurso de 10 minutos)
14:45 - visita guiada ao museu escolar Oliveira Lopes, com a sr. Diretora Dra.Raquel Elvas

E assim daremos início ás nossas atividades mais relevantes para 2020

Inscreva-se até quinta-feira:  cenariovar@gmail.com

( os custos serão repartidos entre os presentes, excepto convidados, (serão dois)


o interior de um barco... é alguém que nos espreita


Tuesday, January 14, 2020

Jezebel, Vouga, em restauro

Vouga antigo, de boa construção ao nível do casco ( cedro vermelho...) mas com a estrutura do convés a necessitar muita labuta. Nova caixa de patilhão, novo pé do mastro, novo leme... novo convés, em duas camadas, cedro e tola.
aligeirar o verdugo, envernizar de novo. Uma odisseia.




 o orçamento não é muito viável.
 primeiras sondagens
 preimeiras ações, caixa do leme, antigo leme de guilhotina.
 e a estrutura dos paneiros?
 e o pé do mastro que se altera e renova


 e passadas muitas luas, o convés a ganhar forma

Nova caixa do patilhão? pois é...
estava assim...


agora já parece que é um barco.