Monday, October 19, 2026

XX Regata Cenário

 A vigésima edição de um evento anual, uma regata de barcos de madeira, veleiros das classes de vela tradicionais, isto é, com história no mundo da vela desportiva, organizado ininterruptamente e com um pendor de crescimento e de reconhecimento crescentes, quer pela comunidade náutica quer pela comunidade em geral, será com certeza motivo de celebração e orgulho para os seus organizadores e apoiantes.

 A XXª Regata CENÁRIO- Clássicos da vela no "Rio de Ovar" (esse braço tripartido que desde S. Jacinto sobe até ao Carregal, Ribeira, Puxadouro...) teve lugar nos dias 10 e 11 de Outubro, sábado e domingo, um fim de semana de eleição com ventos suaves de NW, primeiro, e de WNW  depois. Colaboraram na organização e como já vem sendo hábito, a NADO e a ANT, presenças agora decisivas na organização do evento nos moldes de "pequeno cruzeiro" Ovar-Torreira, e apoiou o evento a Câmara Municipal de Ovar, mas sentimos a falta do apoio da CIRA, nomeadamente através do Programa PAPERA, que este ano não chegou até nós e muita falta nos fez. 

As condições não poderiam ser melhores, (talvez um pouco mais de vento no domingo), o sol acompanhou-nos quase sempre, azuleante no sabado, e cinza com neblina que se dissipou logo após a largada no domingo.

Com a largada no Carregal, Carregal à Torreira, partiram treze embarcações e cerca de 40 velejadores, ora em pôpa ora em largo, rumo ao cais da Béstida onde se rondava a baliza de sinalização do canal, e se rumava ao "Café Guedes", esse mítico lugar dos pastéis "Ancora" ou "Monte Branco", afamada iguaria doceira da Murtosa.

Ali, na linha de chegada, foram cronometrados os tempos por Pedro Pinho, treinador de vela da ANT, que nos ajudou nos procedimentos necessários a dotar esta regata-passeio com o sensível e estimulante toque do rigor competitivo. Afinal trata-se de uma regata onde também se decide de modo singelo e cavalheiresco o Campeão Nacional da "Classe Andorinha"...

Participaram treze embarcações, todas construídas em madeira, celebrando a arte da carpintaria naval e a arte dos barcos, vela ligeira de um tempo que é o nosso, sem nostalgias nem anacronismos, apenas o regresso ao futuro que se vê e que se vive com o património que são os barcos de madeira, aqueles que foram feitos para captarem a energia do vento... sulcarem águas abrigadas, competirem em eventos de diferentes contextos e diversos territórios representando épocas de gradual evolução técnica tatica e tecnológica.

Eis o nosso mérito, se nos é permitido este observar refletido, realizar hoje e não no passado, de memórias complexas e contraditórias, por vezes oníricas, mas que nos fornecem os ingredientes necessários ao inconformismo, ao fazer mais e ir mais além, superando as mais frágeis expectativas de há vinte anos, quando 5 embarcações antigas e restauradas participaram na primeira regata, ao largo do cais da Tijosa, um dos melhores locais da Ria para se realizarem regatas, na devida hora de maré. 

 Nesta vigésima edição participaram duas embarcações que foram objeto de restauro ao longo do ano de 2025/26, cada uma com sua história, cada uma com seus protagonistas, um Vouga e um Finn, obras de arte oriundas dos Estaleiros do Alfeite (1949) e dos extraordinários Estaleiros Brites, de Pedrouços (1960..). Participou ainda uma embarcação que navegou pela primeira vez, tripulada por dois principiantes da vela, mas que dadas as condições de vento conseguiram finalmente atracar na Torreira após uma longa travessia do oceano, passando o cabo das tormentas que é a Ponte da Varela com maré enchente... 

Vieram da Costa Nova os vougas "Ventura III", talvez o vouga mais antigo a navegar, o "Marília" (Ex" Pinante") gentilmente cedido para a regata pela família Maia Moura, e da Cenário o Aventura e o Calipso, que completavam a frota dos Vougas. Ao leme do "Aventura" tivemos a Matilde das escolas de vela da NADO, a primeira vez ao leme de um Vouga...

Participaram ainda dois Sharpie 12, três Andorinha, e um Cap Corse e um Snipe, o "Gazela" representando a grande frota branca, completando a presença de de Ílhavo nesta Regata.

 Foram treze as embarcações inscritas, onze completaram a prova. 

 






























Monday, August 17, 2026

O processo

 

                                                 O barco após um restauro nos idos anos 80...


                                        

















Terminado o projeto, agora que já navega de novo o ex-Pinante, ex-almirante do Alfeite, onde foi construído em 1949, colocado ao serviço do CNOCA, Clube dos Oficiais e Cadetes da Armada, posteriormente para as mãos do Sr Henriques e Amigos que o retomaram navegando pela baía do Seixal, onde caíu de amores por um Vareiro, Homem de Ovar, o Zé Lírio que para a Ria de Aveiro o trouxe e ali navegaram, participando inclusive na primeira regata oficial da CENÁRIO em 2007, e outros eventos importantes para a consolidação do nosso projeto coletivo, terminado o projeto dizia, em que se acreditou mesmo nos momentos mais duvidosos,  graças ao interesse e entusiasmo de Ricardo Maia Moura, e seus irmãos, que com este barco pretendem presentear a família que veranea na Costa Nova do Prado, com um objeto agregador, identitário, único,  e cuja atividade náutica promoverá o bem estar da família e amigos onde os mais novos terão obviamente uma presença determinante para o futuro. 
Este projeto foi possível pois confluiram boas energias na CENÁRIO e o momento de redescoberta da carpintaria naval, do barco moliceiro e de toda uma comunidade virada para a Ria, que se diz moribunda e caótica, num processo transformador permanente, desta comunidade intermunicipal que tardou a retomar estas relações com a água, e ainda tarda em romper com barreiras e fronteiras, linhas de separação cartográficas que mais não são do que uma abstração administrativa, algo tonta e surreal para quem acompanha regularmente o subir e descer da maré, velejando ou remando, competindo agora numa dimensão fotogénica e global, desígnio que garante a continuidade dos barcos e da navegação em toda a Ria, e não apenas canais ou locais de estreita visibilidade visionária.
Aqui na CENÁRIO e porque se organizaram cursos de carpintaria naval em Estarreja e Torreira (Murtosa) encontraram-se essas boas energias e conseguimos encontrar meios e vontades para concretizar o projeto. 














Monday, May 11, 2026

A prumos e e os inevitáveis riscos